ARTIGOS


Colesterol - Dúvidas e respostas




Mário Cândido de Oliveira Gomes

O colesterol faz parte da grande família dos esteróis, sendo produzido pelo fígado ou adquirido através da alimentação. Por ser insolúvel na água precisa de um meio de transporte, como as proteínas, dando origem às lipoproteínas. Existem dois tipos de lipoproteínas: baixa densidade (LDL= low density lipoprotein), que leva o colesterol do fígado para o sangue, e alta densidade (HDL= high density lipoprotein), que devolve ao fígado. O excesso de colesterol (genético ou dieta inadequada) com diminuição do HDL (bom colesterol) e aumento do LDL (mau colesterol) facilita a lesão da parte interna dos vasos, causando aterosclerose.

O colesterol total não deve ultrapassar 200 mg/dl (170 para as crianças), enquanto o LDL deve ficar abaixo de 1OOmg. Mas o bom colesterol precisa estar sempre acima de 40 para os homens e 30 para as mulheres. Um bom índice de risco é a proporção colesterol total/HDL, que não deve ser maior que 4,5 para as mulheres e 4,1 para os homens. Todavia, mais importante que o colesterol é a gordura da dieta, principalmente as saturadas, que são uma mistura de ácidos graxos saturados, monoinsaturados e poliinsaturados.

As gorduras ricas em ácidos graxos saturados são geralmente sólidas ou semi-sólidas à temperatura ambiente, enquanto as ricas em não-saturados são líquidas (óleo vegetal, azeite, etc). Os ácidos graxos saturados (óleo de coco, gordura de leite ou de carne, margarina em barra) aumentam os níveis de colesterol no sangue, com risco de coronariopatias (angina, infarto, etc). Os não-saturados oferecem um risco menor, como os óleos de canela, soja, girassol, milho, azeite, margarina em pote, etc.

Para diminuir a taxa de colestero! é preciso reduzir a ingestão de gema de ovo (220 mg de colesterol), miúdos de boi e galinha, torresmo, pele frita de frango, picanha, etc. O bom colesterol (HDL) tem seus níveis fixados geneticamente, podendo aumentar com exercícios aeróbicos, retirada do cigarro e consumo moderado de bebidas alcoólicas (vinho tinto, de preferência).

O colesterol total pode ser reduzido com uso de fibras vegetais solúveis na dieta (farelo de aveia, leguminosas, ameixa preta, figo seco, pão integral e frutas frescas), que aumenta a produção de sais biliares, consumindo mais colesterol. Para evitar a prisão de ventre desta dieta, aumentar a ingestão de água. É de fundamental importância manter o peso corporal dentro dos limites saudáveis com dieta inteligente, exercícios físicos (caminhar vinte minutos ou três quilômetros, três vezes por semana) e manter a mente ativa, afastando a aposentadoria precoce. O colesterol também pode ser diminuído com os antioxidantes, que previnem a oxidação da LDL e da lipoproteína A, responsáveis pela obstrução das artérias.

Os principais antioxidantes são: vitamina E (azeite, frutas secas, grãos integrais e algas), vitamina C (frutas cítricas, folhas vegetais claras, etc), betacarotenos (frutas, legumes verdes e amarelos) e selênio (frutos do mar). Os ácidos graxos Ômega 3 (gordura poliinsaturada) são ótimos preventivos da aterosclerose, sendo encontrados nos peixes (salmão, atum, sardinha, anchova, cação e truta). Os produtos vegetais não contêm colesterol, porém a "gordura vegetal hidrogenada" transforma os ácidos graxos insaturados em saturados, aumentando o colesterol. As margarinas em potes são melhores que a manteiga, mesmo assim devem ser consumidas com moderação. Já a batata frita, rosquinha e pastel encerram alto teor de ácidos graxos saturados. O estresse e a ansiedade também são prejudiciais, assim como o sal em excesso. O açúcar não prejudica o coração, mas favorece a obesidade, o mesmo acontecendo com a frutose, mel e açúcar mascavo. Faz bem para o coração (homens adultos e mulheres após a menopausa), o vinho tinto (um copo de 170 ml, uma a duas vezes ao dia) ou equivalente em cerveja (lata de 340 ml) e uísque (dose de 42 mil, assim como o alho (um dente/dia). Os frutos do mar apresentam alta taxa de colesterol, com exceção da lula e do caviar. É preciso cuidado com coco e leite de coco, pelo excesso de gordura saturada, enquanto os frutos secos são bons, mas devem ser consumidos com moderação. O café fresco e chá verde protegem o coração, mas o cigarro deve ser considerado inimigo público número 1. As taxas de gordura devem ser monitoradas desde a infância nos casos de predisposição familiar ou desde a adolescência, porém, acima dos 40 anos o monitoramento deve fazer parte do check-up anual. Convém lembrar da existência de outros fatores de risco para a aterosclerose, como o tabagismo, vida sedentária, diabetes e pressão alta.

Artigo extraído do livro Doenças - Conhecer para prevenir (Ottoni Editora), de autoria do médico Mário Cândido de Oliveira Gomes, falecido aos 77 anos, no dia 6 de junho de 2013.


Segurança jurídica para a indústria imobiliária




Flavio Amary

Basicamente, duas leis federais regem a atividade imobiliária. A Lei nº 4.591/1964, que trata da incorporação de condomínios edilícios, e a Lei nº 6.766/1979, que rege o parcelamento do solo, os loteamentos. O Código de Defesa do Consumidor, em 1990, trouxe o artigo 53, que em seu caput diz ser nula de pleno direito qualquer cláusula contratual que implique perda de todas as parcelas pagas por parte do adquirente. Em seu parágrafo primeiro, porém, dizia que haveria a regulamentação dos critérios objetivos de quanto poderia ser retido e quanto poderia ser devolvido. Esse dispositivo foi vetado, porque o legislador, naquele momento, entendeu que ele era insuficiente para definir esses critérios.

O fato é que 28 anos se passaram, e as soluções foram sendo tomadas com base no que previa o contrato de compra e venda, considerando os aspectos de irretratabilidade e irrevogabilidade. As contestações desaguaram no Judiciário. Agora, o assunto voltou para o Congresso Nacional, a fim de se criar critérios objetivos e de se regulamentar as inúmeras hipóteses de desistências de contratos.

As propostas que estão sendo debatidas agora, no Senado Federal, visam à proteção do consumidor e do produtor de imóvel, com respeito ao contrato. Devemos ter em mente que a relação de produzir e adquirir um imóvel requer uma tomada de decisão que impacta a vida dos dois lados. E ao criar a possibilidade de o adquirente adimplente ou inadimplente ir a mercado e encontrar um novo comprador, para fazer a substituição da compra e venda junto à empresa incorporadora ou loteadora, é um grande avanço. Regrando a questão dos distratos, serão criadas várias condições para favorecer, em última instância, a transparência e o equilíbrio na relação entre empreendedor e adquirente de imóvel, o que é importante para esse mercado.

E é necessário que se avance nessa regulamentação, porque ela vai beneficiar o mercado como um todo.

Adquirir um imóvel é uma tomada séria de decisão. E assim também é para o empresário imobiliário ao se decidir pelo investimento de alto risco que é incorporar um empreendimento.

Quanto mais claras forem as regras, mais bem preparado estará o consumidor para adquirir um imóvel. Um mercado regulamentado vai desestimular a especulação imobiliária, definindo as responsabilidades de ambas as partes.

Estudo do banco BTG Pactual mostra que a multa pelo distrato é de 100% do valor pago pelos consumidores em países como México, Argentina, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Itália, Espanha, Portugal e Austrália. De acordo com o apurado pelo banco, o consumidor que desiste do negócio nesses países pode até ser processado e forçado a concluir a aquisição da unidade. Aqui, no Brasil, a retenção dos valores pelas empresas é variável, conforme as decisões judiciais dos últimos anos, diante da ausência de uma legislação específica.

Ao determinar a restituição da maior parte dos valores pagos aos consumidores, as decisões judiciais afetaram o fluxo de caixa das empresas e comprometerem a conclusão dos empreendimentos imobiliários, colocando em risco os demais consumidores que mantiveram as compras realizadas na planta. De fato, foi isso o que aconteceu com a enxurrada de distratos dos últimos anos, e essa proteção judicial representa a priorização do comprador inadimplente em detrimento do adimplente. Defendemos a importância da manutenção da previsibilidade contratual em transações de compra e venda de imóveis.

Flavio Amary é presidente do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) e reitor da Universidade Secovi -- famary@uol.com.br