BLOG DO SÃO BENTO


O camisa 9 do futebol moderno




De um camisa 9 tradicional, centralizado, à moda antiga, a um camisa 9 adaptável, com mais mobilidade. Desde o início da carreira, Ricardo Bueno era conhecido, sobretudo, pelas características de um centroavante cuja especialidade era a finalização. No São Bento não foi diferente, ao menos em 2017, quando ele foi um dos pilares para livrar o time do rebaixamento no Campeonato Paulista. Mas, em seu retorno ao clube neste ano, é possível notar diferenças no modo de atuar do experiente atleta, de 30 anos, principalmente com a chegada de Marquinhos Santos como técnico.

Bueno voltou ao Azulão no início de junho. De lá para cá, foram nove jogos e três gols marcados na Série B do Campeonato Brasileiro. O torcedor mais "corneteiro" pode até questionar a média de um gol a cada três partidas dele. Os mais atentos à importância tática, no entanto, certamente têm reparado que o atacante costuma "flutuar" mais conforme o esquema tático do time, abrindo espaços nos sistemas defensivos adversários: o tal "falso 9" do futebol moderno.

Tanto na vitória por 2 a 1 contra o Atlético Goianiense, em casa, quanto na derrota por 1 a 0 para o Vila Nova-GO, fora, o centroavante, várias vezes, ocupava os extremos do campo -- espaços teoricamente de Cléo Silva e Branquinho, jogadores de mais velocidade.

No último compromisso, o empate em 1 a 1 com o Brasil de Pelotas, a missão dele mudou um pouco, especialmente no segundo tempo. Mesmo centralizado, por vezes recuava alguns metros para buscar a aproximação com o meia Diogo Oliveira. "A zaga do Brasil (de Pelotas), por identidade, é de muita força e praticamente anulou o Bueno no primeiro tempo. Depois do intervalo nós trouxemos ele para que fizesse a função paralela ao Diogo, com o Branquinho e o Cléo fazendo o "facão". E aí o Bueno teve uma ou duas bolas de frente para definir", explicou Marquinhos Santos.

Bem fisicamente

A nova fase de Bueno também tem relação inegável com seu aspecto físico. O atacante, que já teve passagens, entre outros clubes, por Palmeiras, Atlético Mineiro e Grêmio, sofreu ao longo da carreira com algumas lesões. No ano passado, então, ele procurou a ajuda de um profissional para realizar um trabalho à parte. "Conheci um profissional de fisioterapia muito bom, de Barueri, que tem me ajudado bastante. Tem feito a diferença do ano passado para cá. Diminuíram as lesões. Na verdade, a minha última lesão muscular foi contra o Corinthians, na estreia do estadual do ano passado", comentou, em entrevista coletiva na semana passada.

O fisioterapeuta, segundo o atacante, tem trabalhado a biomecânica, ou seja, as forças envolvidas nos movimentos do corpo. "Descobrimos que eu tinha um bloqueio no quadril e isso atrapalhava muito quando se trata de movimentos em alta velocidade. Então, quando a parte muscular era muito exigida, o quadril estava bloqueado e "estourava"", contou Bueno. Graças à dedicação além do dia a dia no clube, o atleta afirma que, nos testes fisiológicos, tem melhorado cada vez mais. "Os testes mostram ganho de força, resistência e, no pós-jogo, a recuperação tem sido mais rápida", disse. E garantiu: "Vou manter o trabalho para continuar essa evolução."


Concentração até o último segundo




"O sentimento no vestiário era um sentimento de derrotado. Teremos de retomar o procedimento mental, de organização, para que não soframos, ou pelo menos evitemos, tomar gol depois dos 40 (minutos)", declarou o técnico Marquinhos Santos, do São Bento. A declaração ocorreu na coletiva de imprensa após o empate em 1 a 1 com o Brasil de Pelotas, no último sábado, pela 20ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro.

O "fantasma" dos gols sofridos no último quarto de tempo -- causando empates ou derrotas -- continua a assombrar o time de Sorocaba. Trata-se de uma sina que vem desde o Campeonato Paulista. E, somente na segunda divisão nacional, o fato aconteceu oito vezes, ou seja, em 40% dos confrontos.

O gol de empate do Brasil de Pelotas, marcado pelo zagueiro Leandro Camilo, saiu aos 39" do segundo tempo. "Vamos ter de retomar o trabalho (mental) desde o início. Os atletas no vestiário sentiram demais, foi revoltante a forma como entregamos o jogo ao adversário", disse Marquinhos Santos.

"Temos muito que melhorar depois dos 40 minutos. O cansaço físico traz essa "queda mental"", acrescentou. O treinador comentou, também, que o psicológico pode ter influenciado na hora de matar o jogo, já que o São Bento criou várias oportunidades, especialmente no segundo tempo. Porém, fez uma ressalva: "Os atletas tiveram competência para finalizar, coloco o mérito para o goleiro Marcelo Pitol."

Por conta da situação de fragilidade mental e concentração, o São Bento chegou a contratar na segunda quinzena de julho os serviços da psicóloga Alessandra Dutra, do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). A profissional foi a responsável pela preparação de vários atletas e equipes nas últimas três edições dos Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Campeonatos Sul-Americanos.

O próximo compromisso do Azulão na Série B será no sábado (17), diante do CSA, às 21h, fora de casa. "Vamos estudar bem a equipe do CSA, que vem fazendo uma excelente campanha com o Marcelo Cabo no comando. O São Bento tem que vencer fora de casa", afirmou o técnico beneditino.


São Bento e Brasil de Pelotas jogam neste sábado, no CIC, pela Série B




O São Bento dá pontapé inicial no returno da Série B do Campeonato Brasileiro hoje, às 16h30, no Estádio Municipal Walter Ribeiro (CIC). O adversário desta tarde é o Brasil, de Pelotas (RS), um rival direto no que se refere ao plano primordial do Azulão, de permanecer na competição para 2019. Os sorocabanos ocupam a 12ª colocação na tabela, com 24 pontos, enquanto os gaúchos estão no 16º lugar, com 21 pontos.
 
No São Bento, o duelo é tratado como de extrema importância. O técnico Marquinhos Santos, que deve definir os titulares apenas na véspera, considera a partida uma espécie de decisão, mas, ao mesmo tempo, admite a necessidade de não tratá-la com um peso "muito além" do devido. "Não considero um jogo de seis pontos. Cada jogo vale três pontos. Não podemos tratar uma primeira partida de returno como se fosse a última do campeonato. Não vai ser determinante para o acesso e nem para o descenso. É um jogo importante sim, mas não podemos transformar em decisivo para o restante da temporada", pontuou, ontem pela manhã, em entrevista antes do último treinamento no CIC.
 
O centroavante Ricardo Bueno também atendeu a imprensa. Conforme publicado pelo Cruzeiro do Sul nesta semana, o Azulão precisa de sete vitórias em 19 jogos (nove deles dentro de casa) para permanecer na segunda divisão nacional -- a informação tem como base a pontuação média dos times que terminaram na 16ª posição nos últimos cinco anos de Série B. Diante dos dados, Bueno revelou que o grupo estabeleceu uma meta interna para conseguir o objetivo principal. "É difícil falar quais jogos são para vencer. Mas temos a meta de vencer pelo menos seis dos nove jogos em casa. E aí buscar uma ou duas vitórias, alguns empates fora", afirmou.
 
 
No Brasil de Pelotas, o técnico Gilmar Dal Pozzo declarou nesta semana que a manutenção na Série B também é o plano A. "A realidade é uma só: manter o Brasil na Série B. Para isso o trabalho está sendo feito e não adianta criar falsas expectativas. O jogo de sábado é importante por ser direto: com uma vitória passamos o próprio adversário pelos critérios. Sabemos que só dependemos do nosso trabalho, da nossa capacidade, da nossa força em campo."
 
Acompanhe
 
A Cruzeiro FM 92,3 transmite o confronto a partir das 15h. A narração é de Nilson Duarte, com reportagens de Caio Rossini, comentários de Érico Bueno e apresentação e plantão de Juarez Morato.
 
SÃO BENTO X BRASIL-RS
 
São Bento - Rodrigo Viana; Tony, Luizão (Ewerton Páscoa), Anderson Salles e Marcelo Cordeiro; Fábio Bahia, Dudu Vieira e Diogo Oliveira; Cléo Silva, Ricardo Bueno e Branquinho. Técnico: Marquinhos Santos
 
Brasil-RS - Marcelo Pitol; Eder Sciola, Leandro Camilo, Rafael Dumas, Tiago Cametá; Leandro Leite, Valdemir, Itaqui e Pereira; Lourency e Luiz Eduardo. Técnico: Gilmar Dal Pozzo
 
Árbitro - Marielson Alves Silva
 
Local - Estádio Municipal Walter Ribeiro (CIC)
 
Horário - 16h30