A vida chama

Impermanência: o sim diante da vida


A natureza é uma grande fonte de conhecimento. Ela pode nos informar e nos inspirar. Se a observarmos iremos aprender várias lições - principalmente com os animais. O problema é que insistimos em viver na selva de pedra, desconectados dessa grandiosa fonte de ensinamentos e força. E fica difícil mesmo enxergar enquanto estamos confinados.
 
Exatamente por isso gosto tanto de fazer imersões na natureza. Não só para recarregar os meus pulmões com ar mais puro mas, essencialmente, para observar. A natureza nos apresenta uma série infindável de manifestações, um constante "vir a ser". 
 
Para ilustrar os ensinamentos que podemos obter hoje trago um vídeo onde o rabino e psiquiatra Dr. Abraham Twerski nos leva a refletir sobre a impermanência, utilizando a metáfora da lagosta. Esse crustáceo vive, tranquilamente, no fundo do mar, protegido pela sua carapaça dura e resistente. Mas, dentro da carapaça, a lagosta continua a crescer. 
 
Ao final de um ano, sua "casa" fica pequena e a lagosta tem de enfrentar um grande dilema: ou permanece dentro da carapaça e morre sufocada ou arrisca sair de lá, abandonando-a, até que seu organismo crie uma nova carapaça de proteção, de tamanho maior, que lhe servirá de couraça por mais um ano. É óbvio que, sem a carapaça, a lagosta fica vulnerável aos muitos predadores. Mesmo assim, ela sempre prefere sair. Ela sabe que dentro desta "redoma" não tem nenhuma chance de vida. Fora, sim. 
 
Vamos trazer esse ensinamento da natureza para o nosso dia a dia. Quantas vezes nos sentimos prisioneiros de várias carapaças, sufocados, nos encolhendo diante da vida? Pense nos hábitos repetitivos, nos condicionamentos, nas situações que não nos oferecem mais oportunidades de crescimento. Por falta de coragem nos acostumamos à falsa segurança de uma vida monótona que, fatalmente, como a velha carapaça da lagosta, acabará por nos sufocar. A impermanência causa certa angústia diante das incertezas. Mas a permanência, na maioria das vezes, causa a morte lenta. Como você reagiria diante deste dilema? Que escolhas faz para sua vida?
 





 
 
Rita Bragatto é psicanalista 
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